Com base nos dados do Sistema Cadastro Mineiro, comparamos os requerimentos minerários protocolizados entre janeiro e agosto de cada um dos últimos cinco anos. Com um pico em 2023 de 9.648 requerimentos, os números recuam por dois anos seguidos, com 8.475 em 2024 e 7.548 em 2025, e voltam a crescer em 2026, mas ainda 19,6% abaixo do topo de 2023, com 7.761 requerimentos.
O Requerimento de Licença caiu todos os anos, sem exceção, nos últimos cinco: 1.368 em 2022 para 888 em 2026, queda de 35%. Não há reversão à vista, o que pode sugerir uma migração estrutural de interesse para outras formas de titulação, não uma oscilação conjuntural.
O Requerimento de Lavra Garimpeira recuou de forma ainda mais acentuada no total nacional, de 781 para 337, queda de 57% em cinco anos. Mato Grosso e Pará concentram, juntos, entre 33% e 63% de todo o RLG do país em cada um dos cinco anos, e essa concentração está subindo: de 42,6% em 2022 para 63,2% em 2026. Os requerimentos formais de lavra garimpeira encolheram no Brasil como um todo, mas aparentam estar cada vez mais restritos a esses dois estados.
O Requerimento de Registro de Extração quebra o padrão de queda: 2026 registra o maior volume nacional da série, 559, depois de oscilar entre 358 e 478 nos quatro anos anteriores. Rio Grande do Sul e Santa Catarina respondem por 40% a 62% do total nacional em todos os cinco anos, com salto a partir de 2025, de uma faixa de 40-46% para cerca de 60%. O crescimento de 2026 nessa modalidade se concentra na demanda por agregados para construção civil no Sul, não em uma expansão distribuída pelo país.
O Requerimento de Pesquisa, a modalidade mais numerosa em todos os anos, não segue uma tendência linear: oscila entre 5.771 em 2025 e 7.365 em 2023, com 2026 contando com 5.977 RPs representando uma recuperação frente ao ano anterior, mas ainda abaixo do padrão de 2022 a 2024.

O setor mineral protocola hoje menos requerimentos de licenciamento formal e de lavra garimpeira do que há cinco anos, enquanto a demanda por extração de agregados no Sul atinge um patamar inédito na série. A pesquisa mineral segue sendo, de longe, a porta de entrada mais usada, sem tendência de crescimento definida, mas o resto do funil mostra um setor cada vez mais regionalizado: garimpo puxado por dois estados, agregados puxados por outros dois.
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