Os dados de licenciamentos minerários outorgados pelo Sistema Cadastro Mineiro, comparando os sete primeiros meses de 2025 e de 2026, mostram um recuo na atividade em nível nacional: de 525 outorgas entre janeiro e julho de 2025 para 428 no mesmo período de 2026, uma queda de 18,5%.
Olhado de forma isolada, esse número sugere um cenário de desaceleração generalizada.
Mas ao abrir o dado por unidade da federação, aparece um retrato mais desigual: a queda nacional não está distribuída de forma uniforme entre os estados, e alguns dos polos mineradores mais tradicionais recuaram pouco ou quase nada, enquanto outros caíram de forma acentuada.
No topo do ranking, a estabilidade prevalece. O Rio Grande do Sul, líder em outorgas nos dois períodos, teve uma variação de apenas -5,6% (de 72 para 68), dentro da margem esperada de oscilação mês a mês. Mato Grosso, segundo colocado, seguiu o mesmo padrão, com queda também de -5,6% (de 54 para 51).
Minas Gerais teve uma retração um pouco maior, de -10% (de 40 para 36), mas ainda assim moderada.
O caso mais interessante do topo do ranking é Goiás/Distrito Federal, que registrou exatamente o mesmo número de outorgas nos dois períodos: 57. À primeira vista, a posição do estado no ranking de 2026, que subiu do 3º para o 2º lugar nacional, pode parecer um sinal de crescimento.
Mas o dado mostra outra coisa: não houve avanço em volume absoluto, apenas estabilidade num cenário em que os concorrentes diretos perderam terreno.
É justamente entre os estados que ocupavam posições próximas ao topo em 2025 que a queda se concentra com mais força. O Pará, 4º colocado no ranking daquele ano com 37 outorgas entre janeiro e julho, caiu para 17 no mesmo período de 2026, uma retração de 54,1%. A Bahia, então 5ª colocada, seguiu uma trajetória parecida, de 33 para 17 outorgas (-48,5%).
Alagoas, 8ª colocada em 2025, caiu de 17 para 8 outorgas (-52,9%). O Ceará, que estava até à frente de Alagoas no ranking daquele ano (7º lugar, com 28 outorgas no mesmo período), teve a maior variação entre os estados analisados: caiu para apenas 6, uma queda de 78,6%.

O conjunto dos dados sugere que 2026 não é simplesmente “um ano mais fraco” para o licenciamento mineral no Brasil, mas um ano em que a atividade se concentrou ainda mais nos polos já consolidados: juntos, Rio Grande do Sul, Mato Grosso, Goiás/Distrito Federal e Minas Gerais representavam 42,5% do total nacional em janeiro-julho de 2025, e passaram a representar 49,5% no mesmo período de 2026. Enquanto isso, outros estados, alguns deles bem posicionados no ranking do ano anterior, perderam espaço de forma significativa.
Iremos acompanhar se esse movimento se confirma no segundo semestre, quando os dados completos de 2026 estiverem disponíveis para comparação.
Imagem Gerada Por IA













