Por Oswaldo S. M. Nico, Carlos Henrique X. Araújo, Deborah Goldemberg e Giorgio de Tomi.
O ouro, um recurso precioso com aplicações globais que abrangem desde o mercado financeiro até a indústria eletrônica, desempenha um papel crítico na atual transição energética em direção a tecnologias limpas. A busca por ouro produzido de forma responsável está se tornando uma tendência global inegável, abraçada por diversos setores, incluindo joalherias, engenharia biomédica e muito mais.
A rastreabilidade da produção de ouro e a aplicação de tecnologias de blockchain têm sido temas centrais de pesquisa científica e inovação em centros internacionais de pesquisa (BALZAROVA et al., 2022; FINLAY, 2020). Simultaneamente, o setor tem debatido extensivamente os critérios para a comercialização de ouro com o padrão Fair Trade (HILSON et al., 2018).
Iniciativas tecnológicas inovadoras, como o mapeamento da assinatura geográfica do ouro, também estão em andamento, exemplificado pelos projetos que buscam “mapear o DNA do ouro” (METALOR, 2023).
Contudo, um elemento fundamental para permitir que as cadeias de blockchain rastreiem a produção de ouro responsável é o registro da origem da produção. Isso representa o primeiro elo da cadeia de valor, onde o ouro, originalmente uma substância mineral, é transformado em um ativo financeiro. A validação da origem responsável do ouro é crucial para o sucesso dessa cadeia de valor.
Com o objetivo de enfrentar esse desafio e validar a origem do ouro responsável na primeira transação comercial, foi criado o Projeto de Comercialização de Ouro Responsável (PCRO).
Este projeto envolve a colaboração da renomada Universidade de São Paulo, por meio do Núcleo de Pesquisa para a Pequena Mineração Responsável (NAP.Mineração/USP), e a Fundação para o Desenvolvimento Tecnológico da Engenharia (FDTE), juntamente com empresas de mineração e entidades do terceiro setor que apoiaram a iniciativa.
O resultado desse esforço conjunto é uma ferramenta inovadora com a missão de capacitar os compradores a tomarem decisões responsáveis de compra e orientar os produtores de ouro na produção responsável.
A plataforma PCRO está hospedada na nuvem, com infraestrutura dedicada, e oferece acesso através de navegadores comerciais, atendendo aos padrões de mercado mais atualizados.
Para os compradores de ouro, a plataforma realiza uma análise automática da conformidade com os critérios mínimos do PCRO, garantindo uma verificação eficaz do risco de não conformidade do ouro que desejam adquirir. Além disso, a ferramenta também oferece a opção de solicitar análises mais abrangentes aos especialistas da plataforma, abordando todos os níveis de conformidade.
Para os produtores de ouro, a plataforma PCRO fornece orientações claras para alcançar a extração mineral responsável, colaborando no destaque das operações responsáveis de extração e fornecendo direcionamento técnico para melhorar o cumprimento dos critérios do PCRO.
Para os técnicos que operam a plataforma, ela oferece uma visão clara e objetiva dos dados essenciais para a análise de risco de não conformidade na produção de ouro. Toda a informação relevante para essa análise está centralizada em uma única plataforma, incluindo dados dos processos da Agência Nacional de Mineração (ANM), imagens de satélite, informações tributárias, detalhes de licenciamento e dados geográficos, tudo em um local conveniente.
A plataforma PCRO representa um passo importante em direção a uma indústria do ouro mais transparente e responsável, beneficiando não apenas os compradores e produtores, mas também o setor como um todo. Com o compromisso de promover a sustentabilidade e a responsabilidade na cadeia de valor do ouro, o PCRO é uma conquista significativa no campo da mineração responsável.
Acesso à Plataforma PCRO: Visite https://pcro.com.br
(Fonte: Adaptado a partir de “PCRO: uma plataforma de fomento para a cadeia de valor de ouro responsável” – Brasil Mineral)
Matéria na íntegra: edição 428 de Brasil Mineral
REFERÊNCIAS
Balzarova, M., Dyer, C., & Falta, M. (2022). Perceptions of blockchain readiness for fairtrade programmes. Technological Forecasting and Social Change, 185, 122086. Finlay, D.C. (2020). “The burden’of traceability in gold supply chains. Journal of Fair Trade, volume 2, issue 1, 22-26.
Hilson, G., Gillani, A., & Kutaula, S. (2018). Towards sustainable pro-poor development? A critical assessment of fair trade gold. Journal of Cleaner Production, 186, 894-904.
METALOR (2023). METALOR teaming up with the Universities of Lausanne and Geneva to get a DNA of gold. Disponível em: https://metalor.com/metalor-teaming-up–with-the-universities-of-lausanne-and-geneva-to-get-a-dna-of-gold/ (Consultado em 10 de março de 2023).
SBG (2023). Swiss Better Gold Association. Disponível em: https://www.swissbettergoldassociation.ch/ (Consultado em 10 de março de 2023).
* NAP.Mineração/USP, Núcleo de Pesquisa para a Pequena Mineração Responsável da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo www.usp.br/nap.mineracao













