A outorga de um Registro de Licença pela Agência Nacional de Mineração (ANM) é um dos principais termômetros da atividade econômica interna do país, pois autoriza a extração de bens minerais essenciais para a construção civil e obras de infraestrutura. A análise dos dados consolidados do primeiro trimestre de 2026 (janeiro a março), totalizando 160 novos licenciamentos, revela uma geografia econômica distinta da mineração metálica, destacando os polos de desenvolvimento regional e a demanda por agregados.

A Liderança do Sul e a Força do Centro-Oeste
A principal análise é a proeminência de estados cuja economia é fortemente impulsionada pela agroindústria e por um setor de construção civil robusto, em detrimento dos tradicionais gigantes da mineração de exportação.
Rio Grande do Sul (1ª Posição – 32 licenças | 20%): A liderança isolada do Rio Grande do Sul, com um quinto de todas as outorgas do país, é um forte indicador da sua força econômica interna. Este desempenho reflete uma demanda por agregados, impulsionada por obras de infraestrutura logística, pela expansão do agronegócio e pelo desenvolvimento urbano e imobiliário no estado.
Mato Grosso (2ª Posição – 15 licenças | 9,4%): A segunda posição de Mato Grosso reforça a tese da conexão direta entre o agronegócio e a mineração de bens para a construção. A contínua expansão da fronteira agrícola demanda investimentos em infraestrutura, como estradas e armazéns, sustentando a alta procura por novos licenciamentos.

O Papel dos Gigantes da Mineração e a Presença do Nordeste
Enquanto o topo do ranking é ocupado por outros protagonistas, os estados tradicionalmente associados à mineração metálica ainda demonstram relevância, ao lado de surpresas regionais.
Pará (3ª) e Minas Gerais (4ª): A presença de Pará e Minas Gerais no Top 5, com 8,1% e 6,9% das licenças, respectivamente, evidencia a complexidade de suas economias. Além de serem líderes na produção de commodities para exportação, ambos possuem territórios com cidades em crescimento e grandes obras de infraestrutura, mantendo a demanda por agregados em alta.
Paraíba (6ª), Piauí e Pernambuco (8ª): É notável a presença de estados do Nordeste no topo do ranking. A Paraíba, em 6º lugar, e os empates na 8ª posição demonstram um dinamismo significativo na construção civil da região, que supera, neste quesito, estados mais populosos como São Paulo (10º).
A análise do ranking de Licenciamentos Outorgados referente ao período de janeiro a março de 2026 permite extrair conclusões importantes para o setor:
- Indicador de Crescimento Interno: O Regime de Licenciamento funciona como um indicador antecedente do desenvolvimento da construção civil e de obras de infraestrutura, apontando para os polos de maior atividade econômica regional.
- Mapa de Oportunidades: Para empresas do setor de agregados, engenharia e serviços, este ranking é estratégico, uma vez que aponta onde a demanda por insumos e equipamentos está mais aquecida.
- A Outra Face da Mineração: Os dados reforçam que a mineração brasileira possui uma capilaridade que vai muito além dos grandes projetos de exportação, sendo um pilar fundamental e pulverizado para o crescimento interno do país.
Em suma, o balanço do primeiro trimestre de 2026 mostra um setor de licenciamento liderado pela força da economia do Sul e do Centro-Oeste, com uma participação relevante e estratégica do Nordeste.
Análise baseada em dados oficiais da ANM extraídos do Sistema Cadastro Mineiro, referentes ao período de janeiro a março de 2026.
📷 Imagem Gerada por IA
Gráfico por Diego Santos













