A Corrida pelos Minerais Críticos: Requerimentos na ANM Crescem 81% em 2025


A demanda global por minerais essenciais para a transição energética está se refletindo diretamente no processo minerário brasileiro. Dados da Agência Nacional de Mineração (ANM) revelam um aumento de 81% no volume de requerimentos de pesquisa para minerais críticos entre o primeiro e o quarto trimestre de 2025, totalizando 9.319 solicitações ao longo do ano.

Este aumento expressivo, com um pico acentuado no final de 2025, evidencia o crescente interesse do mercado nos recursos estratégicos do Brasil, como lítio, níquel, grafita e terras raras. No entanto, o país ainda enfrenta o desafio de converter seu vasto potencial geológico em produção em larga escala.


Reservas Globais x Produção Limitada

O Brasil detém uma posição geológica privilegiada no cenário mundial. Segundo a ANM, o país concentra parcelas relevantes das reservas globais de vários insumos críticos:

  • Nióbio: 94,1%
  • Grafita: 22,4%
  • Níquel: 16%
  • Terras Raras: 9,1%

Apesar deste potencial, a participação brasileira na produção mundial permanece modesta. Nos casos do lítio e das terras raras, a produção nacional é residual, representando 0,002% e 0,03% do total global, respectivamente.

Este cenário se torna ainda mais crítico diante da alta concentração do mercado. A China, por exemplo, controla cerca de 82% da produção de grafita e 90% da capacidade de processamento de terras raras. A Indonésia, por sua vez, domina aproximadamente 60% da oferta de níquel.


Cenário Estratégico e Diplomático

A importância dos minerais críticos transcendeu a esfera econômica e se tornou pauta diplomática. Acordos de cooperação, como o firmado recentemente entre Brasil e Índia, sinalizam a intenção do governo em fortalecer a posição do país nesta cadeia produtiva, buscando atrair investimentos não apenas para a extração, mas também para as etapas de processamento e refino, onde a China atualmente detém a hegemonia.

Enquanto a mineração tradicional continua a ser um pilar da economia brasileira, respondendo por 33% do superávit da balança comercial em 2024, a corrida pelos minerais críticos apresenta tanto uma oportunidade de desenvolvimento quanto um desafio estrutural. A capacidade do Brasil de transformar seus 9.319 novos requerimentos em minas operacionais dependerá não apenas do potencial geológico, mas também da agilidade regulatória e da atração de investimentos para toda a cadeia produtiva.


Fonte: Folha de S. Paulo

📷Gerada por IA

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